Um grupo de artesãos de Pirapora participou, entre os dias 24 e 28 de agosto, de uma missão técnica na Ilha do Ferro, em Alagoas, para conhecer iniciativas de valorização do artesanato, da cultura e do turismo. A atividade foi promovida pelo Sebrae Minas por meio do Projeto Identidade e Origem e reuniu oito artesãos que trabalham com bordados e peças de madeira, incluindo as tradicionais carrancas e imagens sacras.
Durante a imersão, os participantes fizeram visitas guiadas a museus, conheceram o território, participaram de encontros com artesãos locais e acompanharam reuniões com associações e cooperativas. A proposta foi identificar experiências que possam ser adaptadas à realidade de Pirapora e contribuir para o fortalecimento do artesanato como atividade cultural, turística e econômica.
Entre os participantes estava a artesã Bonifácia Pereira dos Santos, que produz carrancas em madeira desde os oito anos de idade. Aos 57 anos, ela vê na experiência uma oportunidade de ampliar a valorização do artesanato produzido em Pirapora.
“A visita técnica e o projeto em andamento são importantes para nos dar uma visão do que podemos fazer. Na Ilha do Ferro conhecemos muita coisa bonita e estruturada de valorização. Se fizermos o mesmo aqui em Pirapora, vai abrir novos campos de trabalho e mudar a visão do artesanato local”, destacou.
Experiência da Ilha do Ferro
A Ilha do Ferro foi escolhida como referência por sua atuação na valorização do artesanato, especialmente nas áreas de madeira e bordado, que também fazem parte da produção dos artesãos de Pirapora.
Além das características semelhantes na produção artesanal, os dois territórios mantêm uma forte relação com o Rio São Francisco e com a cultura ribeirinha, reunindo saberes e manifestações culturais desenvolvidos ao longo das gerações.
As experiências desenvolvidas na Ilha do Ferro contribuíram para processos de reconhecimento e estruturação da Indicação Geográfica (IG). A estratégia é uma das referências para o trabalho que vem sendo desenvolvido em Pirapora, com o objetivo de ampliar o reconhecimento da origem e da identidade do artesanato local.
“A missão técnica foi uma das ações para buscar o fortalecimento da governança e a valorização da identidade do artesanato de Pirapora, criando uma oportunidade de aprendizado a partir de uma experiência que já conseguiu transformar saberes tradicionais em identidade, reconhecimento e oportunidades de mercado”, explicou a analista do Sebrae Minas, Kátia Leite.
Projeto Identidade e Origem
O Projeto Identidade e Origem tem como proposta fortalecer, proteger e potencializar os saberes tradicionais e a identidade cultural de Pirapora. As primeiras ações foram iniciadas no começo de agosto, com um encontro envolvendo parte dos artesãos que integrarão o projeto.
A iniciativa busca criar as bases para o reconhecimento do artesanato de Pirapora como Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência. A medida é considerada estratégica para fortalecer o turismo, a economia criativa e o desenvolvimento local.
Até o final de 2027, estão previstas ações para ampliar a notoriedade do território e valorizar os produtos artesanais no mercado. Entre as etapas estão o diagnóstico do portfólio de produtos, a identificação de elementos culturais e simbólicos, além do mapeamento de artesãos, lideranças, instituições e potenciais parceiros.
A expectativa é que o processo contribua para transformar a identidade cultural de Pirapora em um diferencial de mercado e em mais uma ferramenta de valorização do turismo ligado ao Rio São Francisco.