O Sebrae Minas deu início ao projeto Identidade e Origem, voltado à valorização do artesanato de Pirapora, no Norte de Minas. A iniciativa busca fortalecer a identidade cultural do município, preservar os saberes tradicionais e criar as condições necessárias para que o artesanato local conquiste uma Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência.
O primeiro encontro com parte dos artesãos que integrarão o projeto foi realizado na terça-feira (4). A expectativa é que, até o fim de 2027, sejam desenvolvidas ações para ampliar a visibilidade da produção artesanal, fortalecer o turismo e impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade.
Na fase inicial, cerca de 15 artesãos serão atendidos. O trabalho inclui um diagnóstico do setor, com levantamento do portfólio de produtos, identificação dos elementos culturais e simbólicos do território, além do mapeamento de lideranças e instituições parceiras.
Entre as principais expressões do artesanato de Pirapora estão as tradicionais carrancas de madeira, símbolo da cultura ribeirinha do Rio São Francisco, além de peças produzidas em palha, argila, tecidos e crochê.
Segundo a analista do Sebrae Minas, Amanda Guimarães, o projeto pretende evidenciar a vocação artesanal da cidade e construir uma identidade reconhecida pelo mercado.
“Estamos iniciando o projeto com o objetivo de valorizar, ainda mais, esse território que é tão criativo, a partir das suas potencialidades e da vocação do artesanato na região. Esta primeira etapa, voltada ao mapeamento da cultura do território, vai orientar os próximos passos para o desenvolvimento do artesanato de Pirapora”, afirmou.
Durante o encontro, os participantes também conheceram experiências bem-sucedidas do Projeto Identidade e Origem em outras regiões do estado, como o trabalho de valorização do artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha.
Para o artesão José da Paixão Santana, que há mais de 45 anos produz réplicas em madeira do Vapor Benjamim Guimarães, o projeto representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção local.
“Essa iniciativa vai ser importante para crescermos e fortalecer o artesanato local. O projeto vai nos ajudar a ganhar ainda mais mercado e representatividade”, destacou.
Outro participante é o artesão Hiram Acácio Alves Barbosa, que utiliza troncos trazidos pelas cheias do Rio São Francisco para criar peças sacras. Ele acredita que a iniciativa contribuirá para fortalecer a identidade cultural dos ribeirinhos.
“Este projeto tem como objetivo unir as pessoas em torno de uma identidade própria da nossa terra, do ser barranqueiro e do ser ribeirinho. O rio flui através de nós e pulsa na nossa alma”, ressaltou.
Caso a Indicação Geográfica seja conquistada, Pirapora poderá agregar valor aos seus produtos artesanais, ampliar a competitividade no mercado e consolidar o artesanato como um dos principais atrativos turísticos e culturais da região.